17 de out de 2011

Não quer dizer Não!

Esse texto é uma reprodução extraída do Blog "Blogueiras Feministas",

Não, sempre quer dizer: não!

Meu plano hoje era falar sobre algo mais ameno, ia falar sobre a divisão entre tarefas tipicamente femininas e tarefas tipicamente masculinas e o machismo. Mas não aguentei, nesses dois últimos dias, vi coisas na internet que me deixaram um bocado assustada. Uma garota foi atacada por um homem de forma covarde e cruel pois não quis ficar com ele. A segunda coisa, vi uma imagem que me deixou assustada, era um “manual para entender as mulheres” com comentários bem normais, clichês, que fazem uma tradução machista do que a mulher quer dizer com algumas palavras ou frases. Acredito que as pessoas que postaram não fizeram por mal, não viram como eu vi, mas, um dos itens fala que “Não = Sim”. No momento em que não é sim, a mulher vai falar não para um cara na hora do sexo e ele pode fazer sexo mesmo assim. Afinal ela estaria só fazendo doce. É assustador, triste e não foi a intenção, mas quantas vezes você já viu ou ouviu histórias de homens que utilizam como desculpa para um abuso que a mulher está fazendo doce quando diz NÃO?
 Nós, mulheres somos vítimas de abusos o tempo todo. Se andamos vestidas com roupas curtas merecemos ouvir desaforos em forma de cantadas. Se vamos a uma boate/micareta/”insira-a-sua-balada-preferida-aqui” desacompanhada de um homem é porque desejamos pegar qualquer indivíduo que nos dê mole. Se somos simpáticas estamos dando mole. E, se falamos não, estamos fazendo doce. Até quando nossa vontade será desrespeitada por homens?
Eu fui vítima de abuso sexual na infância, sofro até hoje com o acontecido. Hoje em dia, passo por inúmeros momentos desconfortáveis na rua, no ônibus, na balada, no boteco e, às vezes, até no trabalho, de clientes que não têm noção de que eu sou educada e não estou dando mole para eles. E eu sei que não sou a única, muitos homens aproveitam de uma vulnerabilidade criada pela sociedade machista para abusar e desrespeitar as mulheres.
Só queria explicar que não falo o contrário do que penso, nunca. Muitas vezes incomodo muita gente por causa dessa minha sinceridade. Então quando eu digo NÃO ele quer dizer NÃO. E também que não sou uma boneca inflável, pronta para ser usada por quem bem entender! Eu decido com quem, quando e como eu faço sexo!

Além dessa tradução do manual, existem outras frases do manual que para mim foi incômodo de ler, mas essa foi a que mais me assustou. Acreditar que nós somos robôs e que somos programadas pra pensar todas da mesma forma já é um absurdo, mas falar que quando falamos NÃO estamos dizendo sim é tão lamentável quanto quebrar o braço de uma mulher que não desejou ficar com você.
O que me deixa boba é ver que muitos que ficaram assustados com a história da menina que foi agredida concordam com esse manual. E, pra piorar mais ainda a situação, muitas mulheres concordam com o manual e acham graça, como se tivessem traduzindo seus pensamentos. Mas, aposto que todas diriam NÃO a um homem que não desejam e esperam que esse NÃO seja respeitado. Ou elas conseguiram ver escrito em alguma parte desse manual que ele só não funciona em casos de abuso sexual e estupro?

3 comentários:

Gabriela Palombo disse...

Mas eu acho q aí é que mora o perigo, pois os dados nacionais sobre a violência doméstica mostram justamente isso: o agressor normalmente é alguém sem antecedentes, trabalhador e etc. Não são psicopatas ou perversos. É a naturalidade com que a situação é encarada que perpetua a violência contra mulheres. Será mesmo que um homem sabe distinguir uma mulher de uma Mulher? A questão é, mesmo se uma mulher tem comportamento vulgar, legalmente, ninguém tem o direito de agredi-la por isso. A moralidade não cabe no que se refere à violência. Ele pode não querer casar, se relacionar enfim, mas não pode agredi-la por isso. Muitos estupradores justificam a violência sexual apelando para os trajes da vítima, mesmo se ela estiver nua um homem não direito de violentá-la. Precisamos ter cuidado para que a moral não subjugue a constituição.

Rita disse...

É tanta violência,que nem sei
o que responder nesse texto,dói
muito saber essas coisas...A gente
ve isso diariamente e parece que
nada é feito...Ou é feito alguma coisa e mesmo assim ninguém respeita
pena que qdo vc tenta discutir isso
muita gente ainda não entende!

@ Escritora disse...

Olá Gaby,

Excelente post.

Vivemos numa selva de pedras, sinceramente não aguento mais tanta coisa ruim que vejo, é lamentável vivermos num mundo com tamanha violência e desrespeito pelo nosso semelhante.

Mas independente de leis, educação, condição de vida, acredito que a maioria das pessoas que cometem crimes, são más e cruéis por natureza.

O bem e o mal habita dentro de nós, somos nós quem alimentamos o que mais nos identifica.

Saudações