22 de out de 2011

Um desafio ao prefeito Barbieri


Em meados de 2007, quando na cidade, pelo menos nos bastidores da política, já se esquentava o clima pré-eleitoral, o então prefeito Edinho Silva (PT) fez uma reunião no salão do Palacete das Rosas (antigo Araraquarense, hoje sede da Secretaria de Cultura e FUNDART) com todos os cargos comissionados do governo.

A mensagem chegou causando polêmica, quando anunciou o prefeito: absolutamente todos aqueles que tivessem pretensões eleitorais deveriam deixar seus cargos até novembro daquele ano!

A justificativa apresentada pelo Edinho era a de que, como a legislação eleitoral obriga que candidatos ocupantes de cargos nos governos se afastem de suas funções durante o período eleitoral, ele queria evitar duas situações: a primeira, uma desorganização dentro do governo ou a paralisação de determinadas ações devido ao afastamento do eventual responsável; segundo, a preservação da imagem do governo, institucionalmente, evitando a possibilidade de uso da máquina pública para fins eleitorais ou pessoais. Assim, o prefeito Edinho poderia já ao final daquele ano recompor as funções e planejar concretamente o último ano de seu mandato.

Vocês podem imaginar que, em geral, a notícia desagradou a muitos. Gerou inclusive certo mal estar dentro do PT, uma vez que a decisão foi uma iniciativa do governo, do prefeito. Logo depois o PT discutiu a medida e se convenceu de que realmente era o mais acertado. Difícil foi equilibrar isso com os partidos aliados, mas enfrentamos o desgaste superando o fisiologismo.

Poderia citar aqui vários companheiros do PT ou ainda de outros partidos que, mesmo passando por situações difíceis em suas famílias, cumpriram a risca com o pedido do prefeito. O vereador eleito Édio Lopes é um exemplo. Aliás, cabe lembrar que da bancada dos 3 vereadores petistas, Édio Lopes e Márcia Lia eram cargos comissionados do governo e, conforme orientação do prefeito Edinho, em novembro de 2007 apresentaram suas cartas de exoneração.

Acho importante resgatar essa atitude do Edinho, porque acima das questões partidárias, é preciso reconhecer sua coragem e compromisso com os princípios que regem a administração pública. Uma atitude digna em respeito a cada cidadão e cidadã dessa cidade, exemplo de ética e transparência. Antes de pensar nos interesses individuais de cada pré-candidato da base de apoio ou os interesses do PT pela sucessão, pesou ali o bom desempenho do governo e em conseqüência, aquilo que era melhor pra Araraquara.

Pois bem, estamos há menos de um ano das eleições municipais e muito se tem falado sobre o inchaço da prefeitura nas mãos do prefeito Marcelo Barbieri (PMDB) com a contratação desmedida de cargos de confiança. Inclusive, o Ministério Público a pedido do Tribunal de Contas está investigando isso.

Nesse clima de antecipação das eleições, visível pela postura do prefeito nas atividades públicas ou nos debates de sua base na Câmara, num contexto onde especialistas em Administração Pública prevêem um endividamento da prefeitura municipal extremamente delicado para o ano de 2012 (cerca de 100 milhões de dívida), o prefeito Marcelo Barbieri poderia dar uma resposta á altura, se espelhando na atitude de seu antecessor.

Mais, diante de tantas denúncias e todas elas acatadas pela Justiça, como o superfaturamento das lousas digitais, o escândalo na Fundart, a licitação da merenda, a perfuração dos poços do DAAE, a fraude nos balancetes maquiando a operação ilegal do não recolhimento de INSS, a recente lei absurda que lhe permite destruir o DAAE, os 5 milhões que ele pegou ilegalmente do DAAE para fazer folha de pagamento, as denúncias de má gestão na Saúde que culminaram nas 2 maiores epidemias de dengue da história de Araraquara, a exoneração sumária de 19 servidores concursados da vigilância epidemiológica, e mais uma série de desgastes para a administração, seria realmente louvável que o prefeito respondesse a isso não com discurso, mas com ações concretas.

Assim, termino hoje lançando um desafio ao prefeito Marcelo Barbieri, candidato à reeleição:

1)      Terá o prefeito a coragem de colocar os interesses da cidade acima da politicagem eleitoreira?
2)      Terá o prefeito a grandeza de pedir a exoneração de todos aqueles que serão candidatos na  próxima eleição?
3)      Terá sua base apoio a capacidade de fazer política sem depender dos cargos e da máquina pública?
4)      Terá Araraquara a oportunidade de visualizar no governo um verdadeiro estadista?

O tempo dirá. O desafio está lançado.

Bom sábado a todos. Vamos de Raul, eterno!

"É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado (Valter Merlos que o diga...)
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais."





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