22 de nov de 2011

Pôncio Pilatos, APRA e a crise na Santa Casa de Araraquara

Tenho acompanhado a peleja envolvendo problemas com a Santa Casa aqui de Araraquara que culminaram na ação radical de seus provedores de suspender a realização de cirurgias eletivas. Uma Audiência Pública foi realizada na semana passada, com a participação das principais forças políticas da cidade, com objetivo de ajudar a resolver os problemas.

Estica de um lado, puxa de outro, encaminharam um “acordo” um tanto subjetivo repleto de “se”: SE a prefeitura fizesse o repasse de pelo menos 500 mil para pagamento de décimo terceiro dos funcionários, a Santa Casa retomaria as cirurgias eletivas, ao passo que a secretária municipal de Saúde se comprometeu a levar a proposta ao prefeito que “SE” tivesse condições, adiantaria os recursos. Nada se concretizou nos “SE”, e hoje voltamos a estaca zero.

Primeiramente é preciso ter claro que este problema não vem de agora ou desse governo especificamente. Numa rápida pesquisa em jornais no acervo do PT, da década de 90, do governo De Santi a Massafera, passando por Edinho Silva, nenhum escapou de problemas envolvendo a Saúde Pública e a Santa Casa.

De outro lado, ainda assim, não é possível ao cidadão comum, como eu e você, assistirmos a um cabo de guerra onde pela segunda vez neste governo a situação deve ser resolvida por decisão judicial. É um sinal muito ruim essa postura de lavar as mãos do problema e não assumir a responsabilidade por aquilo que inevitavelmente acaba estourando do lado fraco da corda: o povo. Enquanto brigam em cima, o povo se ferra embaixo.

Um dos problemas alegados pela Santa Casa é o déficit financeiro acumulado pela diferença entre o que a prefeitura repassa e os serviços que a instituição realiza. Ou seja, o dinheiro que a prefeitura repassa só cobre uma parte das despesas, gerando um “déficit” nas contas mês a mês. Assim, a dívida é coisa de tempo, portanto, por mais boa vontade que alguns deputados tenham em mandar uma emenda aqui e outra acolá, o que vai resolver realmente o problema é uma adequação estrutural aumentando o teto de repasses do SUS, de um lado, e o comprometimento efetivo das prefeituras da região atendidas aqui, de outro.

Este é outro ponto importante: a Santa Casa atende a 16 cidades da região, entretanto, essas prefeituras não contribuem com sua parte como deveriam, e o município de Araraquara acaba se sobrecarregando também com as demandas regionais. Mas também é preciso cuidado neste debate pra não perdermos de vista o sentido e o perfil desse modelo de gestão de Saúde, e numa saída fácil simplesmente cortar o atendimento regional. Este é um ponto central ao qual o dep. Estadual Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, chamou a atenção durante a Audiência Pública. Nós queremos sim e defendemos esse modelo de gestão universal, gratuito mas com qualidade. Portanto, a saída não é cortar direitos das pessoas, mas assumir as responsabilidades para que a gestão seja mais eficiente.

Em relação a contribuição dos municípios da região nos repasses à Santa Casa, me intriga uma articulação iniciada pelo prefeito Barbieri mas que aparentemente virou um fiasco, a APRA. A criação da Associação de Prefeitos da Região de Araraquara no início de seu governo rendeu bastante holofote e palanque para as eleições de 2010. Entretanto, a discussão de uma política regionalizada integrada, passando por aspectos importantes como a gestão da Saúde (lembremos que o SAMU também tem perfil de atendimento regional), dos Pedágios, do Transbordo e descarte do Lixo, da Segurança Pública, da Reforma Agrária, enfim, diversas áreas onde a integração entre as prefeituras e os consórcios municipais vêem sendo inclusive incentivados pelo governo federal, pouco ou nada avançaram.

Este tema sim mereceria e deveria ser pauta obrigatória e permanente da APRA, fruto de esforço incansável do prefeito Barbieri que preside a Associação. Quantas reuniões da APRA pautaram a Santa Casa de Misericórdia de Araraquara e os deveres e obrigações das prefeituras vizinhas? Que propostas o prefeito Barbieri defendeu e articulou neste espaço depois das eleições? O que me revolta nesse processo todo é a acomodação, a prefeitura gastou fortunas em propagandas publicitárias para passar a mensagem à população de que o governo já fez tudo o que estava ao seu alcance, se eximindo de responsabilidades e jogando a batata quente para o outro. Sempre o “outro”.

Por fim, quero refletir sobre um ponto polêmico levantado pelo vereador (líder do prefeito na Câmara) João Farias. Em que pese o oportunismo eleitoral e a tentativa clara de desgastar ou jogar dúvidas quanto a gestão da Santa Casa pelos atuais provedores (e assim, poupar o prefeito de suas responsabilidades), o vereador João farias chama a atenção sobre a discrepância entre o setor de cardiologia e as demais áreas de atendimento no que se refere às demandas represadas. Olhando os números, o setor de cardiologia é o único em dia, com demandas quase inexpressivas se comparado aos demais, como ortopedia ou cirurgia vascular, por exemplo.

Aqui, tenho que concordar com o vereador: não é de hoje que parece haver outras motivações para o “bom andamento” do setor de cardiologia na Santa Casa, aliás, bom até demais. Em conversas de bastidores, cheguei a ouvir de profissionais ligados à saúde que parece haver uma “indústria” das cirurgias cardíacas em Araraquara há tempos, mas não apenas na Santa Casa. Sei de vários casos diagnosticados e encaminhados para cirurgias cardíacas que, quando a pessoa procurou segunda opinião com médicos de outras cidades, o encaminhamento foi outro, quase sempre contra a intervenção cirúrgica. Tudo leva a crer, por exemplo, que a cirurgia do meu sogro foi um caso desses, ainda que ele tivesse UNIMED e fosse operado no Hospital São Paulo. Meu sogro faleceu logo após a cirurgia, mas os médicos que o encaminharam são os mesmos que atendem na Santa Casa e na cidade inteira, seja nos planos privados ou pelo SUS.

A chamada “máfia branca” ou o corporativismo médico é outro elemento fundamental para um debate sério sobre a Saúde Pública em Araraquara (mesmo no país), mas isso merece um post específico.

Nesse sentido, tem razão o vereador quando questiona a discrepância nos atendimentos da Santa Casa, mas desqualifica quando ameaça abrir a caixa preta nesse contexto de crise. O buraco é mais embaixo e considerando que suposta prática não se resume à Santa Casa, com esta postura de enfrentamento penso que a tendência é agravar um quadro já bastante delicado. Aí vira mais do mesmo, oportunismo eleitoral que na prática não vai resolver o problema: suspensão de cirurgias eletivas pelo SUS – até quando? (Fora isso, o debate é bastante pertinente. Fica o desafio de discutirmos a “máfia branca” e a “indústria do coração” num contexto geral da Saúde Pública na cidade.)

O momento, como vemos caros leitores, é de arregaçar as mangas e trabalhar muito. Prefeito Barbieri, com tantos bons exemplos Bíblicos, copiar Pilatos foi muito infeliz.

2 comentários:

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


COMPARTIENDO ILUSION
GABRIELA

CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...




ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE FLOR DE PASCUA ENEMIGOS PUBLICOS HÁLITO DESAYUNO CON DIAMANTES TIFÓN PULP FICTION, ESTALLIDO MAMMA MIA, TOQUE DE CANELA ,STAR WARS,

José
Ramón...

Patricia Galis disse...

Pois é e olhe como ele ficou conhecido na historia?
Será que vão desejar o mesmo....