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7 de nov. de 2012

Desmembramentos de áreas podem voltar para a Câmara e eu com a pulga atrás da orelha


Olá amigos do Blog. Passadas as eleições, demos um respiro, mas estamos de volta. E o Se liga, Araraquara volta mais apimentado do que nunca.

Quero dividir com vocês algumas reflexões sobre um projeto de lei em pauta na Câmara que me deixou “com a pulga atrás da orelha”: determina que a aprovação de pedidos de desmembramentos de áreas voltem a ser prerrogativa dos vereadores. Digo voltem porque esta foi uma prerrogativa da Câmara durante longo longo tempo, alterada ano passado, 2011.

Para que vocês entendam, a Constituição Federal permite áreas para edificação urbana com no mínimo 125 metros quadrados, enquanto nosso Plano Diretor exige área mínima de 250 metros quadrados. É por esta diferença entre as duas legislações que os pedidos eram enviados para votação dos Vereadores na Câmara Municipal. Acima disto os pedidos já eram tratados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, o que passou a ocorrer também com os votados pelos Vereadores, quando aprovada a mudança.

Ressalto que a mudança nesse procedimento de desmembramento, de tirar a atribuição da Câmara e passar para a prefeitura, foi conseqüência de um estudo feito pelo Conselho Municipal de Planejamento e Política Urbana Ambiental de Araraquara (COMPUA).

Essa mudança determinou, portanto, o entendimento de que é preciso um conjunto de conhecimentos técnicos, legais e políticos, para aprovar mudanças que afetem nosso crescimento urbano como é o caso dos pedidos de desmembramentos. Determinadas áreas, por exemplo, não poderiam servir aos interesses do mercado por diversas razões, mas com propina tudo se resolve, não é? Isso em todo o Brasil, por isso a exigência federal para que todos os municípios aprovassem seus respectivos Planos Diretores.

Assim, foi com bons olhos que a bancada do PT aprovou há cerca de um ano a mudança proposta pelo executivo, tirando a responsabilidade da Câmara e passando para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, onde se pressupõe o trabalho de funcionários capacitados para essas avaliações. Essa mudança foi coerente com o Plano Diretor e reconhecemos ter sido um bom projeto do governo Barbieri.

A Pulga atrás da orelha

Vejam vocês, entretanto, que esta semana, às pressas e sem maiores esclarecimentos, a prefeitura mandou projeto à Câmara para que tudo volte a ser como antes, sob a justificativa de que "setores técnicos da Prefeitura têm verificado que os efeitos secundários da aplicação da lei refletem de modo não condizente com o crescimento ordenado da cidade, o que, obviamente, não era o propósito almejado na época da sua promulgação". Ou seja, um atestado de incompetência? Se os técnicos da prefeitura – engenheiros e arquitetos – não conseguem garantir o crescimento ordenado da cidade, são os Vereadores, cuja maioria sequer conhece o Plano Diretor, que conseguirão? A justificativa do executivo é de ordem técnica e não legal, se há dificuldades pela Secretaria, por que não aprimorar os mecanismos ao invés de retroceder nos procedimentos?

Eu, que estudei e acompanho as discussões relativas ao nosso Plano Diretor, vereadora eleita para assumir em 2013, confesso que não me sinto plenamente apta a tratar dessas matérias referentes a pedidos de desmembramentos. Será que a maioria dos próximos edis se sentem ou estão?

A defesa do vereador Paulo Maranata (PR) para aprovação do projeto foi lamentável. Num discurso de autocomiseração, afirmou que na época “aprovaram as mudanças por acreditar ser melhor, mas que os resultados mostraram que não”. Isso significa que aprovaram de orelhada um projeto enviado com aprovação do COMPUA? Ou que o projeto foi feito de orelhada sem considerar a capacidade da prefeitura? Faz apenas um ano e o projeto enviado passou pelas mãos de especialistas, difícil de engolir essa, vereador!

A defesa do vereador Ronaldo Napeloso (DEM) então, melhor ignorar! O discurso conveniente “de que era assim no governo do PT e agora vocês são contra”, só enrola e não explica. Era assim caro vereador, mas estudos do Conselho convenceram a todos que era melhor mudar. E só não muda de opinião quem tem compromisso com o erro, já dizia o querido Mário Quintana. Falando nisso, não deixa de ser curioso que enquanto secretário de governo, fora da Câmara, o vereador não tenha se posicionado contra a medida do executivo já que estava lá. E agora que volta para a Câmara, defende que a prerrogativa volte também... isso sim é contradição!

Pra mim, alguma coisa não se encaixa e a melhor maneira de encaminharmos isso é dando TRANSPARÊNCIA às discussões. Por isso, fiquei satisfeita com os encaminhamentos. Vereadores de bom senso como Márcia Lia, Édio Lopes e Carlos Nascimento (PT), Juliana Damus (PP), Dr. Lapena (PSDB) e Elias Chdiek (PMDB) votaram favoráveis ao pedido de vista (adiamento) para que a prefeitura esclareça as dúvidas dos vereadores antes do projeto voltar para a pauta. Importante destacar o posicionamento do Presidente da Câmara, Aluísio Braz, o Boi, que desempatou a votação (ficou 6 a favor e 6 contra) favorável ao pedido de vista.

Isso será importante para dirimir dúvidas (ou tirar a pulga atrás orelha) e coletivamente aprovar o que for melhor para Araraquara e seus cidadãos. Não tem problema mudar desde que os motivos sejam plausíveis e justos.

Vamos acompanhar esses debates de perto, é importante!

Termino com um som muito apropriado do Charlie Brown Jr. "Mantenha a dúvida"






11 de fev. de 2012

Rapidinhas da semana: Coca Ferraz, Dr. Marasca e Fundart

Olá, pessoal.  A semana foi agitada, vou fazer um breve resumo dos fatos mais polêmicos, a partir das informações de bastidores.

1-      Prefeitura firma parceria com Universidade para estudo e planejamento do trânsito na cidade. A polêmica se deu pois a assessoria será comandada pelo especialista, Coca Ferraz, que também é pré-candidato à prefeitura de Araraquara pelo PDT. Muito especulou-se acerca da aproximação Coca e Barbieri e sobre possível aliança com vistas ao apoio do PDT de Coca à reeleição do prefeito. Vamos lá: no que se refere à iniciativa da prefeitura, só temos que elogiar. Finalmente resolveram ouvir o que a oposição já apontava há tempos que é a necessidade de planejamento e profissionalismo para a área de Trânsito e Transporte na cidade, estratégica e vital para nosso desenvolvimento, e que vai de mal a pior na administração Barbieri. Certamente, assim como nós da oposição, o prefeito tem pesquisas que apontam esta área como ponto crítico de seu governo. Porém, essa iniciativa não foi desprovida de segundas e terceiras intenções e não foi mesmo coincidência que se desse em ano eleitoral. É fato que nas conversas sobre a contratação da Universidade, houve forte investida do prefeito para tentar ganhar o apoio de Coca e consequentemente do PDT, inclusive, o assédio foi praticado também por setores ligados à “grande imprensa” de Araraquara para uma eventual aliança. Mas, relaxem, não passa de especulação. O PDT Araraquara tem em seu quadro dirigente gente séria e qualificada, ciente das debilidades do atual governo e há praticamente consenso sobre a necessidade de mudar os rumos da política que hoje governa Araraquara. O PDT entende isso e vem se posicionando publicamente nesse sentido. Há também uma convergência entre PDT e PT sobre a necessidade de alternativas para Araraquara. Assim, a perspectiva é definir se o PDT disputa com candidatura própria ou se alia ao PT nessas eleições. O fato dado é que tanto o PDT quanto Coca estarão em lados bem opostos ao de Barbieri na disputa eleitoral. Inshalaa!

2-      Vigilância Sanitária lacra clínica de ultrassom do dr. Carlos Marasca. Sob argumentação de denúncia de que a clínica realizava exame de endoscopia, 8 agentes da vigilância autuaram e fecharam a clínica alegando inadequação do espaço, uma vez que a denúncia de endoscopia era furada. Numa cena digna de Cervante em seu Dom Quixote, segundo relatos do próprio dr. Marasca, 08 agentes numa postura bastante truculenta lacraram a clínica que realiza ultrassons a R$ 30,00, menos da metade do preço de mercado, cujo médico é crítico corriqueiro da Saúde em Araraquara no governo Barbieri. Segundo esclarecimentos de funcionários que já trabalharam na Vigilância, o procedimento padrão é realizar uma vistoria nos espaços e, identificadas irregularidades, emitir um laudo apontado melhorias a serem feitas e estabelecendo prazo para sua adequação. Ao que consta, nada disso aconteceu. Dr. Marasca não foi notificado anteriormente, não recebeu visitas anteriores dos agentes e, mais grave ainda, não há registros na história da Vigilância de uma “batida” com tropa de 08 agentes.  É a mesma coisa que mandar 08 viaturas da PM para perseguir ladrão de galinha. Um exagero, um absurdo, DESNECESSÁRIO. Não existe margem nesse episódio para alegar “excesso de zelo” por parte da Vigilância e de seu coordenador, o político profissional, senhor Feiz Mattar. Sob sua gestão, tivemos nada menos que 2 epidemias de dengue e é possível enfrentarmos uma terceira; recentemente após denúncia do SISMAR – Sindicato dos servidores públicos de Araraquara e região, quase todas as unidades públicas de saúde tiveram que ser interditadas devido a tudo quanto é tipo de irregularidade, pois a Vigilância desde 2009 (coincidência?) não inspecionava os prédios, estamos acompanhando a peleja de 19 profissionais demitidos “por justa causa” por se posicionar criticamente às atitudes do coordenador e da secretária de saúde, dona Barbieri. Enfim, segundo apurado, mais da metade das clínicas na cidade funcionam com algumas irregularidades. De outro lado, temos o dr. Carlos Marasca, médico radiologista marcado por seu humanismo e idealismo, que se contrapõe à prática geral da classe médica em ficar rica às custas da doença do povo, realizando exames e atendimentos a preços acessíveis à maioria da população. E de quebra, ainda critica publicamente as mazelas da saúde em Araraquara na gestão do prefeito Barbieri. Dr. Marasca incomoda tubarões médicos e políticos incompetentes. Sua clínica foi lacrada.... a ação foi truculenta... protocolos não foram seguidos... dr. Marasca fala em “perseguição política”... concordo com ele. E você?

3-      Caso Fundart: a novela continua. Tive acesso ao relatório das investigações enviado pela Promotoria à Fundart para que esta se posicione num prazo de 30 dias. Do que li, podemos afirmar que os trabalhos ainda são superficiais e entre as denúncias e as defesas, há um buraco enorme que precisa ser esclarecido. De todos os envolvidos ouvidos pelo promotor, nenhum apresentou documento que corrobore com sua defesa. Está tudo na garganta. Com muita satisfação, aceitei convite do comunicador Valmir Moreira, apresentador do programa “Barraco Circulando” da TV Circulando, para gravar um “Barraco” sobre as denúncias contra a Fundart. O programa vai ao ar na próxima semana e assim que subir para o youtube posto aqui. Adianto que foi um prazer participar do programa. Voces vão se surpreender com os fatos e conteúdo da entrevista, o Barraco sobre a Fundart está imperdível!!

Por hoje é só, pessoal. Termino com meu querido Zé Ramalho e sua “Peleja do diabo com o dono do Céu”. Pra dançar e pensar!

22 de nov. de 2011

Pôncio Pilatos, APRA e a crise na Santa Casa de Araraquara

Tenho acompanhado a peleja envolvendo problemas com a Santa Casa aqui de Araraquara que culminaram na ação radical de seus provedores de suspender a realização de cirurgias eletivas. Uma Audiência Pública foi realizada na semana passada, com a participação das principais forças políticas da cidade, com objetivo de ajudar a resolver os problemas.

Estica de um lado, puxa de outro, encaminharam um “acordo” um tanto subjetivo repleto de “se”: SE a prefeitura fizesse o repasse de pelo menos 500 mil para pagamento de décimo terceiro dos funcionários, a Santa Casa retomaria as cirurgias eletivas, ao passo que a secretária municipal de Saúde se comprometeu a levar a proposta ao prefeito que “SE” tivesse condições, adiantaria os recursos. Nada se concretizou nos “SE”, e hoje voltamos a estaca zero.

Primeiramente é preciso ter claro que este problema não vem de agora ou desse governo especificamente. Numa rápida pesquisa em jornais no acervo do PT, da década de 90, do governo De Santi a Massafera, passando por Edinho Silva, nenhum escapou de problemas envolvendo a Saúde Pública e a Santa Casa.

De outro lado, ainda assim, não é possível ao cidadão comum, como eu e você, assistirmos a um cabo de guerra onde pela segunda vez neste governo a situação deve ser resolvida por decisão judicial. É um sinal muito ruim essa postura de lavar as mãos do problema e não assumir a responsabilidade por aquilo que inevitavelmente acaba estourando do lado fraco da corda: o povo. Enquanto brigam em cima, o povo se ferra embaixo.

Um dos problemas alegados pela Santa Casa é o déficit financeiro acumulado pela diferença entre o que a prefeitura repassa e os serviços que a instituição realiza. Ou seja, o dinheiro que a prefeitura repassa só cobre uma parte das despesas, gerando um “déficit” nas contas mês a mês. Assim, a dívida é coisa de tempo, portanto, por mais boa vontade que alguns deputados tenham em mandar uma emenda aqui e outra acolá, o que vai resolver realmente o problema é uma adequação estrutural aumentando o teto de repasses do SUS, de um lado, e o comprometimento efetivo das prefeituras da região atendidas aqui, de outro.

Este é outro ponto importante: a Santa Casa atende a 16 cidades da região, entretanto, essas prefeituras não contribuem com sua parte como deveriam, e o município de Araraquara acaba se sobrecarregando também com as demandas regionais. Mas também é preciso cuidado neste debate pra não perdermos de vista o sentido e o perfil desse modelo de gestão de Saúde, e numa saída fácil simplesmente cortar o atendimento regional. Este é um ponto central ao qual o dep. Estadual Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, chamou a atenção durante a Audiência Pública. Nós queremos sim e defendemos esse modelo de gestão universal, gratuito mas com qualidade. Portanto, a saída não é cortar direitos das pessoas, mas assumir as responsabilidades para que a gestão seja mais eficiente.

Em relação a contribuição dos municípios da região nos repasses à Santa Casa, me intriga uma articulação iniciada pelo prefeito Barbieri mas que aparentemente virou um fiasco, a APRA. A criação da Associação de Prefeitos da Região de Araraquara no início de seu governo rendeu bastante holofote e palanque para as eleições de 2010. Entretanto, a discussão de uma política regionalizada integrada, passando por aspectos importantes como a gestão da Saúde (lembremos que o SAMU também tem perfil de atendimento regional), dos Pedágios, do Transbordo e descarte do Lixo, da Segurança Pública, da Reforma Agrária, enfim, diversas áreas onde a integração entre as prefeituras e os consórcios municipais vêem sendo inclusive incentivados pelo governo federal, pouco ou nada avançaram.

Este tema sim mereceria e deveria ser pauta obrigatória e permanente da APRA, fruto de esforço incansável do prefeito Barbieri que preside a Associação. Quantas reuniões da APRA pautaram a Santa Casa de Misericórdia de Araraquara e os deveres e obrigações das prefeituras vizinhas? Que propostas o prefeito Barbieri defendeu e articulou neste espaço depois das eleições? O que me revolta nesse processo todo é a acomodação, a prefeitura gastou fortunas em propagandas publicitárias para passar a mensagem à população de que o governo já fez tudo o que estava ao seu alcance, se eximindo de responsabilidades e jogando a batata quente para o outro. Sempre o “outro”.

Por fim, quero refletir sobre um ponto polêmico levantado pelo vereador (líder do prefeito na Câmara) João Farias. Em que pese o oportunismo eleitoral e a tentativa clara de desgastar ou jogar dúvidas quanto a gestão da Santa Casa pelos atuais provedores (e assim, poupar o prefeito de suas responsabilidades), o vereador João farias chama a atenção sobre a discrepância entre o setor de cardiologia e as demais áreas de atendimento no que se refere às demandas represadas. Olhando os números, o setor de cardiologia é o único em dia, com demandas quase inexpressivas se comparado aos demais, como ortopedia ou cirurgia vascular, por exemplo.

Aqui, tenho que concordar com o vereador: não é de hoje que parece haver outras motivações para o “bom andamento” do setor de cardiologia na Santa Casa, aliás, bom até demais. Em conversas de bastidores, cheguei a ouvir de profissionais ligados à saúde que parece haver uma “indústria” das cirurgias cardíacas em Araraquara há tempos, mas não apenas na Santa Casa. Sei de vários casos diagnosticados e encaminhados para cirurgias cardíacas que, quando a pessoa procurou segunda opinião com médicos de outras cidades, o encaminhamento foi outro, quase sempre contra a intervenção cirúrgica. Tudo leva a crer, por exemplo, que a cirurgia do meu sogro foi um caso desses, ainda que ele tivesse UNIMED e fosse operado no Hospital São Paulo. Meu sogro faleceu logo após a cirurgia, mas os médicos que o encaminharam são os mesmos que atendem na Santa Casa e na cidade inteira, seja nos planos privados ou pelo SUS.

A chamada “máfia branca” ou o corporativismo médico é outro elemento fundamental para um debate sério sobre a Saúde Pública em Araraquara (mesmo no país), mas isso merece um post específico.

Nesse sentido, tem razão o vereador quando questiona a discrepância nos atendimentos da Santa Casa, mas desqualifica quando ameaça abrir a caixa preta nesse contexto de crise. O buraco é mais embaixo e considerando que suposta prática não se resume à Santa Casa, com esta postura de enfrentamento penso que a tendência é agravar um quadro já bastante delicado. Aí vira mais do mesmo, oportunismo eleitoral que na prática não vai resolver o problema: suspensão de cirurgias eletivas pelo SUS – até quando? (Fora isso, o debate é bastante pertinente. Fica o desafio de discutirmos a “máfia branca” e a “indústria do coração” num contexto geral da Saúde Pública na cidade.)

O momento, como vemos caros leitores, é de arregaçar as mangas e trabalhar muito. Prefeito Barbieri, com tantos bons exemplos Bíblicos, copiar Pilatos foi muito infeliz.

22 de out. de 2011

Um desafio ao prefeito Barbieri


Em meados de 2007, quando na cidade, pelo menos nos bastidores da política, já se esquentava o clima pré-eleitoral, o então prefeito Edinho Silva (PT) fez uma reunião no salão do Palacete das Rosas (antigo Araraquarense, hoje sede da Secretaria de Cultura e FUNDART) com todos os cargos comissionados do governo.

A mensagem chegou causando polêmica, quando anunciou o prefeito: absolutamente todos aqueles que tivessem pretensões eleitorais deveriam deixar seus cargos até novembro daquele ano!

A justificativa apresentada pelo Edinho era a de que, como a legislação eleitoral obriga que candidatos ocupantes de cargos nos governos se afastem de suas funções durante o período eleitoral, ele queria evitar duas situações: a primeira, uma desorganização dentro do governo ou a paralisação de determinadas ações devido ao afastamento do eventual responsável; segundo, a preservação da imagem do governo, institucionalmente, evitando a possibilidade de uso da máquina pública para fins eleitorais ou pessoais. Assim, o prefeito Edinho poderia já ao final daquele ano recompor as funções e planejar concretamente o último ano de seu mandato.

Vocês podem imaginar que, em geral, a notícia desagradou a muitos. Gerou inclusive certo mal estar dentro do PT, uma vez que a decisão foi uma iniciativa do governo, do prefeito. Logo depois o PT discutiu a medida e se convenceu de que realmente era o mais acertado. Difícil foi equilibrar isso com os partidos aliados, mas enfrentamos o desgaste superando o fisiologismo.

Poderia citar aqui vários companheiros do PT ou ainda de outros partidos que, mesmo passando por situações difíceis em suas famílias, cumpriram a risca com o pedido do prefeito. O vereador eleito Édio Lopes é um exemplo. Aliás, cabe lembrar que da bancada dos 3 vereadores petistas, Édio Lopes e Márcia Lia eram cargos comissionados do governo e, conforme orientação do prefeito Edinho, em novembro de 2007 apresentaram suas cartas de exoneração.

Acho importante resgatar essa atitude do Edinho, porque acima das questões partidárias, é preciso reconhecer sua coragem e compromisso com os princípios que regem a administração pública. Uma atitude digna em respeito a cada cidadão e cidadã dessa cidade, exemplo de ética e transparência. Antes de pensar nos interesses individuais de cada pré-candidato da base de apoio ou os interesses do PT pela sucessão, pesou ali o bom desempenho do governo e em conseqüência, aquilo que era melhor pra Araraquara.

Pois bem, estamos há menos de um ano das eleições municipais e muito se tem falado sobre o inchaço da prefeitura nas mãos do prefeito Marcelo Barbieri (PMDB) com a contratação desmedida de cargos de confiança. Inclusive, o Ministério Público a pedido do Tribunal de Contas está investigando isso.

Nesse clima de antecipação das eleições, visível pela postura do prefeito nas atividades públicas ou nos debates de sua base na Câmara, num contexto onde especialistas em Administração Pública prevêem um endividamento da prefeitura municipal extremamente delicado para o ano de 2012 (cerca de 100 milhões de dívida), o prefeito Marcelo Barbieri poderia dar uma resposta á altura, se espelhando na atitude de seu antecessor.

Mais, diante de tantas denúncias e todas elas acatadas pela Justiça, como o superfaturamento das lousas digitais, o escândalo na Fundart, a licitação da merenda, a perfuração dos poços do DAAE, a fraude nos balancetes maquiando a operação ilegal do não recolhimento de INSS, a recente lei absurda que lhe permite destruir o DAAE, os 5 milhões que ele pegou ilegalmente do DAAE para fazer folha de pagamento, as denúncias de má gestão na Saúde que culminaram nas 2 maiores epidemias de dengue da história de Araraquara, a exoneração sumária de 19 servidores concursados da vigilância epidemiológica, e mais uma série de desgastes para a administração, seria realmente louvável que o prefeito respondesse a isso não com discurso, mas com ações concretas.

Assim, termino hoje lançando um desafio ao prefeito Marcelo Barbieri, candidato à reeleição:

1)      Terá o prefeito a coragem de colocar os interesses da cidade acima da politicagem eleitoreira?
2)      Terá o prefeito a grandeza de pedir a exoneração de todos aqueles que serão candidatos na  próxima eleição?
3)      Terá sua base apoio a capacidade de fazer política sem depender dos cargos e da máquina pública?
4)      Terá Araraquara a oportunidade de visualizar no governo um verdadeiro estadista?

O tempo dirá. O desafio está lançado.

Bom sábado a todos. Vamos de Raul, eterno!

"É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado (Valter Merlos que o diga...)
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais."





21 de out. de 2011

Bastidores: Pinóquio Apelou.


No jogo da política, caros leitores, a mentira é uma arma tão comum como a metralhadora numa guerra. Sei que é lamentável, mas é assim que ainda funciona. E os bastidores da política normalmente decepcionam (as exceções surpreendem!). Pois bem, nessa lógica rasteira, o que se entende é que a mentira é algo a ser usado contra o adversário, seja para atingi-lo, seja para se tirar algum proveito.

Mas, quando a mentira é usada para enganar os próprios aliados, o que isso significa?

Eis que, de bastidor em bastidor, um urubu verde confidenciou, ao que foi confirmado depois pelo urubu amarelo, que antes da sessão da Câmara (18 de outubro) em que a base aliada do prefeito aprovou a Lei que permite ao chefe do executivo dilapidar os recursos do DAAE, uma reunião foi feita para “tranqüilizar” os vereadores sobre as conseqüências de tal insanidade.

Entre um argumento e outro, Pinóquio solta essa: “fiquem tranqüilos, já conversei com o Edinho (ex-prefeito de Araraquara, deputado estadual e presidente do PT/SP) e a bancada petista na Câmara - oposição solo ao desgoverno - será enquadrada. Os vereadores do PT vão se comportar, se submeter ou sei lá o quê! E blá blá blá.

Gente, é ou não é motivo de piada? Quer dizer que o Pinóquio já está apelando nesse nível? Mentindo pra seus aliados?

Hahahahahahahahahahahaha – adorei saber dessa!

Não é pra menos, afinal, as eleições se aproximam e a “base” dá sinais de rebeldia... no frigir dos ovos, é salve-se quem puder! Imagino que não está fácil para estes vereadores saírem tranqüilos nas ruas depois de assinar embaixo de tantos absurdos. Coitados!

Me pego a pensar o que terá passado na cabeça deles quando mentira de perna curta não chegou na esquina, e a bancada petista votou contra o Projeto de Golpe, desmascarando as intenções por trás da manobra.

Talvez coisa do tipo “ué... será que o Edinho ligou pra eles e deu caixa postal?” ou “não tô entendendo” ou ainda “a bancada do PT é rebelde, o Edinho vai ter que dar uma lição neles”. Méo Déos!

Só mesmo um abestado pra acreditar nessa lenda. Edinho é nossa liderança, um exemplo de postura republicana com o governo e não mede esforços para ajudar o POVO de Araraquara. Seu compromisso? O melhor para Araraquara. Evidente, coerentemente, acreditamos que o melhor é o projeto desenvolvido por Lula para o Brasil, continuado pela Dilma, e implementado pelo PT durante sua gestão em Araraquara.

E como podemos observar andando pela cidade, ou analisando as contas da prefeitura, o Pinóquio representa o apocalipse de tudo isso.. mesmo que as trombetas da imprensa e de seus anjos caído afirmem o contrário.

Que feio, hein, Pinóquio! Mas, se chegou nesse nível, é porque os ratos sentiram o cheiro do barco afundando... e se não tem pudores em mentir pra cidade, não tem com ninguém.

Ah, falando em mentira, vem aí nos próximos dias uma com "efeito" científico... pesquisa pra convencer a eles mesmos que podem continuar falindo a cidade porque o povo não se dá conta. Bem, sobre isso falaremos nos próximos capítulos.

Termino aqui com Tião Carreiro, uma referência na minha formação cultural, graças a meu pai Luiz Palombo.

“Bezerrada de gravata que se cuide não se meta
Quem mamava no governo agora secou a teta
A coisa tá feia, a coisa ta preta...
Quem não for filho de Deus, tá na unha do capeta.”


Uma boa sexta-feira a todos!