Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos
por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo
de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos
sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e
de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem
decididamente quatro patas.
CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming
Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características
psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada
capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza,
curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm
grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Tem
experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma
determinação feroz e extrema coragem.
No entanto, as duas espécies foram perseguidas e acossadas, sendo-lhes
falsamente atribuído o fato de serem trapaceiros e vorazes,
excessivamente agressivos e de terem menor valor do que seus detratores. Foram
alvo daqueles que prefeririam arrasar as matas virgens bem como os arredores
selvagens da psique, erradicando o que fosse instintivo, sem deixar que dele restasse
nenhum sinal. A atividade predatória contra os lobos e contra as mulheres por parte
daqueles que não os compreendem é de uma semelhança surpreendente.
Pois foi aí que o conceito do arquétipo da Mulher Selvagem primeiro se
concretizou para mim: no estudo dos lobos. Estudei também outras criaturas como,
por exemplo, os ursos, os elefantes e os pássaros da alma — as borboletas.
Recomendo a leitura desse livro tenho certeza que vai se surpreender.


